O hino de Cuiabá: a oficialização da sua canção (1962)

Secom
Execução do hino em Sessão Ordinária
Execução do hino de Cuiabá na Sessão Ordinária de 9 de junho de 2026

“Cuiabá, és nosso encanto, / Teu céu da fé tem a cor, / Da aurora o lindo rubor;/ Tens estelífero manto”. Provavelmente você já ouviu uma música com esses versos. Eles fazem parte da primeira estrofe do hino de Cuiabá, com letra de Ezequiel Pompeu Ribeiro de Siqueira e instrumentação do Maestro Luiz Cândido da Silva. O hino atual foi oficializado em 10 de abril de 1962, por meio da Lei Municipal nº 633, originada de um projeto apresentado pelo poder Executivo chefiado, à época, por Hélio Palma de Arruda.

A história do hino na Câmara de Cuiabá inicia-se em 6 de abril de 1962, quando o projeto de lei foi inserido na pauta para apreciação da edilidade. O assunto foi apresentado em Sessão Ordinária, e o parecer da comissão foi aprovado (não há referência à comissão). O presidente Edgar Curvo, da União Democrática Nacional (UDN), convocou uma Sessão Extraordinária logo em seguida, na qual o projeto foi aprovado. Em razão da previsão do Regimento Interno, realizou-se uma nova Sessão Extraordinária para ratificar e aprovar a redação final da lei. Após esse trâmite, o texto seguiu para sanção do prefeito.

Percebe-se que o tema foi discutido e a lei votada com bastante celeridade. Isso leva a crer que sua aprovação esteve correlacionada com o aniversário de 243 anos de Cuiabá, celebrado dois dias depois (8 de abril). A Câmara realizou uma Sessão Solene em comemoração à data, mas não há menção na ata acerca da execução do hino – ou não foi executado ou não registrado em ata. O prefeito Hélio Palma de Arruda esteve presente na solenidade e, em seu discurso, não fez mencionou a lei recém aprovada pelos vereadores, que viria a ser sancionada e publicada dois dias depois.

O interesse para a produção deste artigo surgiu de um achado: um recorte do jornal O Estado de Mato Grosso, de 4 de abril de 1954, intitulado: “Hino de Cuiabá” e assinado  pelo mesmo autor da versão oficializada em 1962: Ezequiel Siqueira. Na composição reproduzida no jornal em 1954 há quatro estrofes e o refrão (coro). Comparando as versões, verifica-se a manutenção do refrão e da primeira e segunda estrofes. Na terceira, Ezequiel Siqueira dizia que Cuiabá era o “Berço feliz e imortal, / De respeitáveis condores” da cultura mundial; na quarta referenciava-os nominalmente: Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, Caetano Manuel de Faria e Albuquerque, Joaquim Duarte Murtinho, General Costa e o bispo Dom Aquino Corrêa.

Como dito, a letra oficializada em 1962 preservou o refrão e duas estrofes: a primeira está transcrita no início deste artigo; a segunda – que  destaca a beleza singular de Cuiabá e homenageia o “bravo descobridor”, o bandeirante Pascoal Moreira Cabral – tornou-se a terceira parte. Foi inserida uma nova estrofe (a atual segunda), que trata do afeto à cidade e do pedido a Deus para vencer o mal. Infelizmente, não foram encontrados registros sobre o porquê das alterações na letra e como se deu a escolha da letra definitiva.

A Câmara Municipal de Cuiabá empenha-se em fomentar o conhecimento e acesso da população ao hino municipal, divulgando-o em seu site, executando-o em sessões, audiências e solenidades, além de apresentar e aprovar legislações sobre o tema. Além da Resolução nº 06/2010, que obriga sua execução nas sessões legislativas, há duas outras leis municipais: a Lei nº 3.167/1993, de autoria do ex-vereador Carlos Nascimento, que determina a transcrição da letra na Gazeta Municipal; e a Lei nº 4.807/2005, iniciativa do ex-vereador Marcos Fabrício, que estabelece a obrigatoriedade de sua execução nas escolas municipais – ao menos uma vez por semana.

O título deste artigo refere-se ao hino como a canção da cidade. Mas ele não pertence apenas a Cuiabá, pertence aos cuiabanos. Seus versos descrevem com ternura o nosso lar, homenageiam o bandeirante que desbravou a região e, principalmente, nos unem em torno de um sentimento de pertencimento. Conforme a letra, quem ama Cuiabá reconhece o seu encanto: uma terra cheia de riquezas, a “Cidade Luz” de Mato Grosso, abençoada pelo Senhor Bom Jesus. Junto da bandeira e do brasão, honrá-lo como a nossa canção maior, ao menos com a mesma dedicação que devotamos aos símbolos e heróis dos nossos clubes esportivos de coração.

 

Danilo Monlevade

Secretaria de Apoio à Cultura

memoria@camaracuiaba.mt.gov.br

Compartilhar
Imprimir  Imprimir
Rodape