Criação de CPI segue regras específicas no Legislativo municipal

Foto: Donatto Aquino
CPI na Câmara Municipal: veja como funciona o processo para criação de uma

Camile de Souza l Secom da Câmara Municipal de Cuiabá

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é um instrumento de investigação utilizado pelo Poder Legislativo para apurar fatos de interesse público. Na Câmara Municipal de Cuiabá, a instauração de uma CPI segue o rito previsto no Regimento Interno da Casa de Leis, composto por diversas etapas que garantem a legalidade, a transparência e a segurança jurídica do processo.

O primeiro passo é a elaboração de um requerimento para abertura da comissão feito pelo vereador autor da proposta. Para que a CPI possa ser criada, o documento deve conter um fato determinado a ser investigado e receber o apoio mínimo de um terço dos parlamentares da Casa.

Atualmente, isso corresponde com nove assinaturas parlamentares. Com esse número mínimo, o requerimento é considerado apto para seguir aos demais trâmites regimentais.

Após a coleta das assinaturas necessárias, o vereador protocola o requerimento no sistema legislativo da Câmara Municipal de Cuiabá. A proposta é então encaminhada à Secretaria de Apoio Legislativo, responsável por dar andamento aos procedimentos administrativos iniciais.

É importante destacar que o requerimento ainda não é considerado definitivamente protocolado para fins de tramitação da CPI. Antes disso, ele deve permanecer em mesa durante uma sessão ordinária, período em que os vereadores podem exercer o direito de incluir suas assinaturas ou retirar apoios já concedidos. Somente após essa etapa, com a consolidação das assinaturas, o requerimento segue para análise da Procuradoria Legislativa.

Na Procuradoria Legislativa, é realizada a análise de admissibilidade da proposta. Nessa fase, são verificados os requisitos regimentais e legais, incluindo a existência de fato determinado, a adequação do objeto a ser investigado e o atendimento ao número mínimo de assinaturas exigido para a criação da comissão.

Concluída a análise, a Procuradoria emite parecer e o processo retorna os setores competentes da Câmara para prosseguimento da tramitação. Com parecer favorável e atendidos todos os requisitos regimentais, a CPI é formalmente criada.

A etapa seguinte é a composição da comissão. Os membros são indicados pelos blocos e partidos, observando a proporcionalidade partidária prevista no Regimento Interno. Após a definição dos integrantes, é realizada a reunião de instalação, quando são eleitos o presidente e o relator da comissão e definidos os procedimentos iniciais dos trabalhos.

A partir da instalação, a CPI passa a atuar oficialmente, podendo realizar diligências, solicitar documentos, convocar testemunhas, ouvir investigados e promover outras medidas necessárias para a apuração dos fatos relacionados ao objeto da investigação.

É importante ressaltar que o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá estabelece o limite máximo de cinco Comissões Parlamentares de Inquérito em funcionamento simultaneamente. Dessa forma, a instauração de novas CPIs deve observar esse quantitativo regimental.

Ao final dos trabalhos, a comissão elabora um relatório conclusivo, no qual apresenta os resultados da investigação, as conclusões alcançadas e, quando cabível, recomendações ou encaminhamentos aos órgãos competentes. O documento é submetido ao conhecimento do Plenário e passa a integrar os registros oficiais da Câmara Municipal de Cuiabá.

Dessa forma, o rito de uma CPI assegura que as investigações parlamentares sejam conduzidas com critérios definidos, respeito às normas regimentais e transparência perante a sociedade.

Atualmente, a Câmara Municipal de Cuiabá possui cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) instauradas, conforme o limite previsto no Regimento Interno:

* CPI da CS Mobi e Promulti – Presidente: Tenente-coronel Dias;
* CPI da Educação – Presidente: Eduardo Magalhães;
* CPI do Cuiabanco – Presidente: Dilemário Alencar;
* CPI dos Empenhos – Presidente: Demilson Nogueira;
* CPI dos TACs e do Potencial Construtivo – Presidente: Ilde Taques.

Também há requerimentos de CPI protocolados e sob análise relacionados à área da Educação, de autoria dos vereadores Demilson Nogueira, Maria Avalone e Maysa Leão.

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